Friday, April 8, 2011
ESPIRITUALIDADE MATERIALISTA! (by Rev. Luiz Correa)
Monday, February 21, 2011
SEXUALIDADE & ESPIRITUALIDADE*Luiz Correa
“Assim Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Macho e femea os criou” (Gênesis 1.27)
Nas ultimas edicoes falei acerca de feminilidade e masculinidade.Feminilidade e masculinidade são dons de Deus. A intensa atração de um pelo outro, o desejo de união, é interpretado pelos místicos como desejo de união para ter a imagem de Deus. Somente a união dos dois reflete a imagem de Deus. O teologo Richard J. Foster comenta: “Nossa sexualidade humana – nossa masculinidade e feminilidade – não é apenas uma forma conveniente de manter a continuidade da raça humana. Não, ela está no coração de nossa verdadeira humanidade. Existimos como homem e mulher em relacionamento. Nossos impulsos sexuais, nossa capacidade de amar e sermos amados, estão intimamente relacionados ao fato de termos sido criados à imagem de Deus.” Muitas cerimonias de casamento culminam com as palavras: “O que Deus uniu nao o separe o homem!”. Que assim seja!Em toda Bíblia o amor entre homem e mulher, a atração entre ambos, é figura do amor de Deus pelo seu povo.
“Serás uma coroa de esplendor na mão do SenhorUma tiara de realeza na palma da mão do teu DeusNào dirão mais de ti: "Abandonada"Nào dirão mais à tua terra "Desolada"Mas te denominarão "Nela meu prazer"E a tua terra "a Desposada"Pois o Senhor em ti encontrará seu prazerE a tua terra será desposada.Com efeito, assim como o jovem desposa a noivaTeus filhos te desposarãoE com o entusiasmo do noivo pela sua prometidaO teu Deus estará entusiasmado por ti.” (Isaias 6:,3-5)
Infelizmente em determinado momento da historia da Igreja essa uniao de macho e femea, homem e mulher, foi intepretada nao como algo efetuado por Deus mas, como o pecado original.
A separação entre sexualidade e espiritualidade teve seu marco com o pensamento grego - privilegiando a mente, o intelecto, o corpo ficou em segundo plano. O pensamento foi considerado superior, e o acesso ao que há de mais supremo será pelo raciocínio. O corpo ficou como acompanhante frágil, que se interpõe, com suas paixões, que quebra a harmonia estabelecida pelo pensamento.
Este pensamento infiltrou-se pouco a pouco no cristianismo, tendo seu apogeu com Santo Agostinho. Para ele, a libido sexual é inimiga da vontade e da liberdade, atrapalha o homem na sua devoção.
Richard Foster diz “Uma das verdadeiras tragédias da história do cristianismo tem sido o divórcio entre a sexualidade e a espiritualidade. Esse fato é tanto mais lamentável por a Bíblia apresentar um conceito de tão alta celebração da sexualidade humana”.
Talvez seja este o tema mais controverso dentro das Igrejas. Afinal, o pulpito e um lugar muito santo para ser falar de sexo, dizia-se antigamente, e mesmo quando abordado a influencia da visao religiosa-ascetica nao permite isencao. No entanto, tambem e o tema que mais afeta os relacionamentos entre casais. Para alguns, o dinheiro deveria ser colocado em primeiro lugar. Entao, temos dois assuntos “mundanos” “carnais” roubando a saude emocional e relacional dos cristaos.
Proporcionar uma visao de sexualidade nao dissociada da espiritualidade e um desafio para a Igreja.
*Licenciado em Filosofia, Habilitado em Psicologia e Historia (Brasil); Especializado em Logoterapia pela Universidade da Africa do Sul; Associado Academico do Viktor Frankl Institute of Logotherapy (USA); Ministro Evangelico vinculado a AFMI (Apostolic Faith Mission International). No Brasil e membro fraterno da Convencao Unida Brasileira.
Thursday, February 10, 2011
NUS E DESAVERGONHADAMENTE HOMENS!

“ Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” (Genesis 2:7)
A frase-titulo desta edicao de “Uma Pitada de Sal” foi a frase de encerramento do artigo da edicao anterior em que tratei do tema “As mulheres encontram o poder e as ruas perdem a feminilidade”. Confesso que eu mesmo fui impactado com a frase e passei a cultivar essa nudez sem vergonha !!! A nudez do autor teve sua apoteose quando as palavras fluiram, sem censura, e expuseram publicamente a sua condicao de homem!
Afirmei, no artigo citado, que tenho grandes e boas amigas e foi uma delas que me enviou o seguinte texto:
“Hoje as ruas estão assim, sentindo falta da feminilidade das mulheres.
E as mulheres estão nas ruas, sentindo falta da verdadeira masculinidade, não nas ruas, mas em suas casas.”
Exposto publicamente e agora desafiado pela procura em mim mesmo da masculinidade que me perpetuaria o direito de ser: NU e DESAVERGONHADAMENTE HOMEM!
Fui gerado e educado por uma mulher. A presenca masculina nao esteve presente em meu desenvolvimento! Entao, coube a mim mesmo a aventura, nada facil, de me tornar um homem do qual viesse a me orgulhar. Nao completei ainda a tarefa. Mas, no decorrer da caminhada descobri que masculinidade nao significa machismo e que SER homem baseia-se tambem em demonstrar sentimentos, poder amar e se emocionar publicamente sem constrangimento. Ora, se o proprio JESUS, o homem por excelencia, se emocionou e chorou publicamente como nos curvaremos a imposicao de que homem nao chora? Parafraseando Pablo Neruda: Confesso que chorei! Confesso que apresento um grau maior de sensibilidade, ao inves de agressividade! Confesso que amei e nao desisti ainda de amar! Confesso que nao me adapto ao modelo de homem tradicional (hipocrita) e que busco viver a minha masculinidade da maneira que entendo ser biblicamente humana e humanamente biblica!
Nao sou um metro-sexual, sujeito da cultura do consumo e da imagem, personagem central de uma sociedade calcada tiranicamente no consumo, que procura criar uma cultura cada vez mais voltada para os produtos cosméticos, estéticos, para o mundo da moda e para o culto à imagem do corpo, “um produto fetiche que serve às demandas e necessidades do mercado da imagem e do consumo, encerrando o “novo homem” em mais uma identidade, na qual ele não teria condições de assumir as conseqüências de uma sociedade herdeira do capitalismo tardio e das tecnologias do ser”.
Masculinidade, entao, nao pode ser expressa em centimetros ou quilogramas! Antes, a expressao da mesma se realiza na capacidade de superacao da condicao de macho a de homem. Deus criou o macho e formou o homem!
O homem oferece o lado a mulher como no ato da criacao. Caminha com ela sem enxergar apenas a femea. Encontra nela amizade e cumplicidade e retribui com generosidade o que recebe.
Nao se envergonha de sua condicao de homem e, por isso, se desnuda desavergonhadamente. Aquela que caminha com ele sente a gentileza de sua forca e a forca de sua gentileza. Compactua da forca de suas verdades e desfruta da verdade de seus sentimentos.
*Licenciado em Filosofia, Habilitado em Psicologia e Historia (Brasil); Especializado em Logoterapia pela Universidade da Africa do Sul; Associado Academico do Viktor Frankl Institute of Logotherapy (USA); Ministro Evangelico vinculado a AFMI (Apostolic Faith Mission International). No Brasil e membro fraterno da Convencao Unida Brasileira.
Friday, February 4, 2011

Thursday, February 3, 2011

(by Luiz Correa)
A palavra sempre teve imensa importancia em minha vida. A palavra em todas as suas expressoes quer a falada, escrita, musicada, a palavra gestual, a palavra escondida atraves de simbolos silenciosos.
Muitas vezes a eloquencia do silencio tambem causou impacto tremendo em minha caminhada existencial. Pentecostalmente desprezado, o silencio precisa ser redescoberto em sua capacidade de elevar a nossa espiritualidade. O silencio da alma desafiada pelas realidades da vida e que nao encontra os sons capazes de descrever os seus reconditos traz dentro dele o enigma do SER que deseja expressar-se em sua totalidade.
Silenciar pode ter multiplos significados.
Neste momento me soa estranho tentar elucidar em palavras, sons escritos, os significados do silencio!
Silenciar pode significar desde reverencia diante da eloquencia do outro ate o cansaco do argumento que insiste em nao silenciar! Refletindo sobre a palavra (nao a Palavra) busco entender os momentos em que silenciei. Algumas vezes o meu silencio foi criminoso pois diante da injustica permitiu que prevalecesse a iniquidade (injustica). Outras vezes covarde escolhi evitar confronto ou nao prolongar a discussao. Tambem ocorreram os momentos em que o silencio simplesmente expressou o cansaco da expressao!
Ja foi dito que o SER humano tem a necessidade de fazer-se conhecido, e o cansaco dessa missao nos leva a momentos de silencio, como em uma tentativa de SER silencioso.
Ha momentos em que queremos aquietar o barulho da existencia que pulsa dentro de nos desordenadamente. Estes momentos poderiam ser descritos como os insuportaveis sons que ecoam do SER e que gostariamos de silenciar! O proprio silencio parece fazer barulho quando a nossa alma encontra-se desconfortavel. Silencio e palavra parecem um casal imperfeito. Mas, assim como na musica as pausas fazem parte da cancao, assim tambem o silencio e parte integral do discurso, nao importando a sua origem ou intencao.
Nao usarei este artigo para falar sobre o silencio de Deus, mas quao eloquente ele se demonstrou em tantos momentos de nossas vidas! Tambem nao falarei sobre o silencio humano diante das “contradicoes” divinas.
Bem, aquilo que aparentemente era silencio tornou-se em palavras e percebi que tenho silenciado mais nos ultimos anos. Maturidade? Covardia? Reverencia? Omissao? Um pouco de cada um. Mais maduro economizando perolas que outrora desperdicei com os “porcos”. Ja nao mais com a coragem da juventude devo confessar que a covardia quer ser um sinal hipocrita da “maturidade”. Reverente diante da oratoria daqueles que mais eloquentes do que eu em muitas formas fazem-me “economizar” palavras. Omisso diante de tantas palavras soltas ao vento e que justificam-se a si mesmas pela eficacia dos atos que as precederam. Ao fim e ao cabo (a moda portuguesa de expressar) talvez o leitor teria preferido o silencio do autor!
Thursday, July 15, 2010

OS INVERNOS DA VIDA!
“O meu amado fala e me diz: Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem. Porque eis que passou o inverno, cessou a chuva e se foi; aparecem as flores na terra, chegou o tempo de cantarem as aves, e a voz da rola ouve-se em nossa terra. A figueira começou a dar seus figos, e as vides em flor exalam o seu aroma; levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem.” (Cantares 2:10-13)
(Rev. Luiz Correa)
Este inverno tem sido mais rigoroso do que todos os que ja passei em Africa. Para muitos ate é dificil acreditar em inverno africano... Que o digam muitos dos seguidores do futebol que vieram para Africa sem agasalhos! Este ano as temperaturas cairam abaixo de zero, no nivel de 4 a 5, na cidade em que vivo.
Mas, por que falar do inverno e seus rigores? Como nao pensar nas estacoes da vida, quando uma delas nos marca tao profundamente? O inverno é menos desejado do que o verao, menos cortejado do que a primavera e menos charmoso do que o outono. Vejo que ,de um modo misterioso, é o inverno o coracao de todas as outras estacoes. Por isso lembro das palavras do principe dos poetas arabes: "Se o inverno dissesse: A PRIMAVERA ESTÁ NO MEU CORAÇÃO,quem acreditaria nele?"(Khalil.Gibran ). Eu acredito que a primavera esta no coracao do inverno, assim como o outono e o verao!
Nos invernos que enfrentamos em nossa existencia deixamos de perceber muitas vezes que eles trazem escondidos em seus coracoes todas as outras estacoes que desejamos.
O verao com o calor e a vida aparente, a primavera com suas flores efemeras, o outono com seu charme cor de morte e vidamesclados, tudo isso escondido em nossos invernos.
é o inverno que nos leva a entender melhor a realidade da vida que se fara aparente no verao. é o inverno que dara sentido perene ao florir temporario. O mesmo inverno nos mostrara que vida e morte mesclados nada mais é do que a cor da vida. Avida que dorme e que desperta a cada dia.
O inverno requer mais do poeta. Sentir o calor da vida apesar das nuvens fechadas, perceber entre a cor morta-viva do outono a esperanca da continuidade, inpirar o perfume da vida apesar do cheiro de solidao. O inverno é a mais solitaria das estacoes.
Enquanto o verao me convida a celebrar, a primavera a sorrir, o outono a refletir , o inverno me convida a olhar a existencia com suas contradicoes e dizer SIM a todas as estacoes da vida.
• O fruto do inverno é: AUTO-CONHECIMENTO.
• O desafio é: NãO DESISTIR.
• O ensinamento: No seu coracao o INVERNO esconde a beleza de todas as Estacoes da Vida.

AS FOBIAS NOSSAS DE CADA DIA!
(Rev. Luiz Correa)
A Copa do Mundo ainda nao tinha sido encerrada. Os preparativos para a grande noite final estavam em andamento quando rumores de novos ataques xenofobicos comecaram a aparecer. Como se diz no Brasil e aqui tambem se cre: “Onde ha fumaca ha fogo”. E era exatamente o fogo que muitos dos estrangeiros que residem nas towships sul-africanas temiam.
A Africa do Sul, nacao que hospedou tantos estrangeiros enfatizando durante meses o “unbuntu” , ve-se agora em manchetes mais uma vez como uma nacao xenofobica.
Uma tentativa de definição da palavra unbuntu foi feita pelo Arcebispo Desmond Tutu:
“Uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não-preocupada em julgar os outros como bons ou maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados, torturados ou oprimidos”.
Entao “unbuntu’ se opoe a xenofobia.
Xenofobia é uma aversão apresentada diante do diferente, um medo excessivo, descontrolado, ao desconhecido, tanto por pessoas quanto por objetos. É um termo utilizado também para se referir a qualquer forma de preconceito, racial, grupal ou cultural.
O que mais me impressiona nos ataques xenofobicos e que o miseravel ataca o miseravel pois nao e capaz de conviver com o sucesso do outro. Sim. Os ataques em sua maioria atinge a massa de refugiados que se instalou na cidades negras atraves da Africa do Sul. Sao em sua maioria zimbabueanos, etiopes, somalis, mocambicanos e outros que desenvolvem pequenos negocios nas favelas sul-africanas e sao visto como “ameacas” para os locais.
Mas, esse medo do diferente tambem nos atinge em nosso dia-a- dia. Infelizmente vamos encontrar muito mais “fobias” do que “unbuntu” no meio cristao.
Se olharmos para tras veremos que aquilo que e hoje aceito ja foi o diferente diante do qual sentimos aversao.
Sao as nossas fobias de cada dia que nos levam a ter atitudes que amanha poderao nos envergonhar.
Em todas as areas podemos encontrar certas fobias, medo excessivo,desontrolado, exagerado, aversao pelo diferente.
Como diria o poeta brasileiro :”E que narciso acha feio o que nao espelho..”.
A reflexao de hoje acerca de xenofobia nos leva a questionar-nos acerca do nosso proprio “narcisismo cultural, espiritual, social”. Acharmos que aquilo que nao se adapta a nossa cultura, ou a nossa visao de espiritualidade, ou ainda aos nossos preceitos sociais, deve ser destruido, banido, afastado.
Precisamos entender que aquilo que nao e espelho pode ser tambem bonito!
Unbuntu deveria ser uma palavra mais conjugada no meio cristao.
Cristaos com unbuntu sao aqueles que estao abertos, disponiveis, nao preocupados em julgar os outros como bons ou maus, e que tem consciencia de que fazem parte de algo maior e mesmo assim se colocam ao nivel dos seus semelhantes que sao diminuidos ou humilhados, torturados ou oprimidos.
Uma leitura simples dos evangelhos nos apresentara um Jesus cheio de “unbuntu”. No livro de Atos vamos encontrar um igreja imersa em “unbuntu”.
O que aconteceu conosco?
Como diria Paulo, o apostolo, quem vos fascinou?
De onde vieram todas as fobias que assolam o meio cristao?